Foi um bem conhecer-te

Foi um bem conhecer-te

Manuel de Almeida/Fado Corrido
Arr. Rão Kyao

Foi pouca sorte encontrar-te
Mas foi um bem conhecer-te
O que perdi em achar-te
Ganhei depois em perder-te

Como vês, não estou mudada
Nem descrente, nem vencida
Nem sequer surpreendida
De um sonho mal acabado

Apenas estou conformada
Conformada de perder-te
Por isso quero esquecer-te
E ao mesmo tempo lembrar-te
Foi pouca sorte encontrar-te
Mas foi um bem conhecer-te

Se é Deus quem manda afinal
Dando almas irmãs à gente
Nossas almas certamente
Não eram o par ideal

Portanto ponto final
Mas olha, quero dizer-te
Sem pretender defender-te
Defender-te ou criticar-te
O que perdi em achar-te
Ganhei depois em perder-te

Recordando o que passei
Fico a pensar sem saber
Porque foi que te encontrei
Se tinha que te perder
Porque foi que te encontrei
Se tinha que te perder

As duas faces do amor

As duas faces do amor

Moniz Pereira / Emílio Vasco

Antes de amar eu julgava
Que o amor que alguém me desse
Jamais morresse
E que todo o juramento
Um ao outro repetido
Fosse cumprido

Mas um dia tu chegaste
E depressa me provaste
Como eu andava iludida

Ah se eu conheço agora
As duas faces do amor
Uma canta, a outra chora
Uma é riso, a outra é dor
Agora que à minha custa
Aprendi o que era amar
Meu coração já se assusta
Quando me sente cantar

Se alguma vez, te deixarem
Em circunstâncias iguais
Sem mais, nem mais
E sofreres este tormento
De trocar pela verdade
A felicidade

Verás que quando a gente tira
Ao amor o que é mentira
Nem sequer fica a saudade

Ah se eu conheço agora…

Asa de Vento

Letra: Amália Rodrigues
Música: Carlos Gonçalves

Sou charneca sou monte
Brisa a correr ligeira
Sou água fresca
A correr na fonte
Sou rosada roseira

Sou o cheiro das flores
Fé do meu pensamento
Filha d'amores
Irmã das dores
Sou mãe
Do sofrimento

Tenho no peito
Um pássaro encarnado
Que anda sem jeito
A mim amarrado

Sou charneca sou monte
Sou noite enluarada
Flor de alecrim
Ramo de jasmim
Sou papoila encarnada

Sou flor de Primavera
Sou sonho de Verão
Planície aberta
Praia deserta
Que espera
A tua mão

Coração fruto
Que é maduro e verde
Meu choro enxuto
Dor que se não perde

Sou charneca sou monte
Sou manhã perfumada
Planície aberta
Praia deserta
Sou ilha abandonada

Sou charneca sou monte
Verde fruta colhida
Erva cidreira
Mansa oliveira
Sou lágrima perdida

Asa de vento
Inimiga da sorte
Roseira brava
Não há quem me corte

Avé Maria fadista

Avé Maria fadista

Gabriel de Oliveira / Popular

Avé Maria sagrada
Cheia de graça divina
Oração tão pequenina
De uma beleza elevada

Nosso Senhor é convosco
Bendita sois vós Maria
Nasceu vosso filho um dia
Num palheiro humilde e tosco

Entre as mulheres bendita
Bendito é o fruto a luz
Do vosso ventre Jesus
Amor e graça infinita

Santa Maria das Dores
Mãe de Deus se for pecado
Tocar e cantar o Fado
Rogai por nós pecadores

Nenhum fadista tem sorte
Rogai por nós Virgem Mãe
Agora sempre e também
Na hora da nossa morte

Bairro Alto

Bairro Alto

Carlos Neves / Francisco Carvalhinho

Bairro Alto
Aos seus amores tão delicado
Certa noite deu nas vistas
E saiu com os trovadores
E mais o Fado
P’ra fazer suas conquistas

Tangeu as liras singelas
Lisboa abriu as janelas
E acordou em sobressalto
Gritaram bairros à toa
Silencio velha Lisboa
Vai cantar o Bairro Alto

Trovas antigas
Saudade louca
Andam cantigas
A bailar de boca em boca
Tristes bizarras
Em comunhão
Andam guitarras
A gemer de mão em mão

Por isso é que ganhou fama de boémio
Por condão é fatalista
Atiraram-lhe com a lama como prémio
Por ser nobre e ser fadista

Hoje saudoso, velhinho
Recordando com carinho
Seus amores, suas paixões
P’ra cumprir a sina sua
‘Inda vem p’ro meio da rua
Cantar as suas canções

Trovas antigas
Saudade louca…

Brincos para brincar

Brincos para brincar

João Linhares Barbosa / Francisco Carvalhinho

Quando eu era pequenina
P’ra me enfeitar as orelhas
Minha mãe punha-me às vezes
Quatro cerejas vermelhas

Refrão

E toda tola lembro-me ainda
Que ia p’rá escola vaidosa e linda
Brincos vermelhos a dar que dar
Pedia espelhos p’ra me mirar

Diziam todos que bem lhe fica
Lembra nos modos menina rica
Via-os revia-os como riqueza
Depois comia-os à sobremesa

Um dia as mais raparigas
Filhas como eu da pobreza
Puseram-me nas orelhas
Dois brinquinhos de princesa

Refrão

E toda triques faces coradas
Ia aos despiques nas desfolhadas
Vinham meus brincos de algum vergel
Não punham vincos na minha pele

Depois mais tarde vi-te e amei
Deste-me brincos de ouro de lei
Bendito sejas mas na verdade
Vejo cerejas sinto saudade

Caminito

Caminito

Gabino Coria Penazola / Juan de Dios Filiberto

Caminito que el tiempo ha borrado,
Que juntos un día nos viste pasar,
He venido por última vez
He venido a contarte mi mal

Caminito que entonces estabas
Bordado de trébol y juncos en flor,
Una sombra ya pronto serás
Una sombra lo mismo que yo

Desde que se fué triste vivo yo,
Caminito amigo yo tambien me voy
Desde que se fué nunca más volvió,
Seguiré sus pasos, caminito, adiós

Caminito que todas las tardes
Feliz recorría cantando mi amor,
No le digas si vuelve a pasar
Que mi llanto tu huella regó

Caminito cubierto de cardos,
La mano del tiempo tu huella borró
Yo a tu lado quisiera caer
Y que el tiempo nos mate a los dos

Estranha forma de vida


Amália Rodrigues / Alfredo Marceneiro

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
E é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condão
Que estranha forma de vida

Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrado
Coração independente

Eu não te acompanho mais
Pára deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais

Se não sabes onde vais
Pára deixa de bater
Eu não te acompanho mais

Fado das horas


Maria Teresa de Noronha e D. António de Bragança

Chorava por te não ver
Por te ver eu choro agora
Mas choro só por querer
Querer ver-te a toda a hora

Passa o tempo de corrida
Quando falas eu te escuto
Nas horas da nossa vida
Cada hora um minuto

Quando estás ao pé de mim
Sinto-me dona do mundo
Mas o tempo é tão ruim
Tem cada hora um segundo

Deixa-te estar a meu lado
E não mais te vás embora
P’ra meu coração coitado
Viver na vida uma hora

Fado do Pescador

Fado do Pescador

Letra de autor desconhecido
Música de Aníbal Nazaré

Vieste-me perguntar
O que era um pescador
Agora vou explicar
Toma atenção por favor

É um homem de pulso forte
A quem nada mete afronta
Sem temer a própria morte
Corre o mar de ponta a ponta

Noites passar
Fora do lar, abençoado
Ter alma nobre
Ser homem pobre
Mas ser honrado
Andar no mar
A suportar, frio e calor
Viver na fé
Eis o que é
Ser pescador

É um homem sem vaidade
Que não possui ambição
Trabalha com lealdade
Para angariar seu pão

Nas noites de chuva e vendo
Em que o mar lhe dá maus trilhos
Não lhe sai do pensamento
Sua mulher e seus filhos

Noites passar
Etç…etç…

Fado em cinco estilos

Fado em cinco estilos

Eu quero bem aos teus olhos
Mas muito mais quero aos meus
Pois se perdesse meus olhos
Não podia ver os teus


Se eu de saudades morrer
Apalpa o meu coração
Talvez eu torne a viver
Ao calor da mão

Se os meus olhos te incomodam
Quando estão na tua frente
Eu prometo arranca-los
E amar-te cegamente

Gosto de cantar o Fado
Acho que o Fado tem raça
E que não foi só cantado
Para cantar a desgraça

Se tenho medo da morte
Não tanto como supões
Tenho mais medo da vida
E das suas ilusões

Flor de Lua


Letra: Amália Rodrigues
Música: Carlos Gonçalves

Solidão, campo aberto
Campo chão, tão deserto
Meu Verão, ansiedade
Meu irmão de saudade
Campo Sol, girassol, branco lírio
Ilusão, solidão
Meu martírio
Torna a flor, minha flor
Campo chão
Torna a dor, minha dor
Solidão

Vai no vento, a passar
Um lamento a gritar
Dó, Ré, Mi
Mi, Fá, Sol
Dó Ré Mi Girassol
Velho cardo, esguio nardo
Flor de Lua
Mi, Fá, Sol
Girassol, eu tua
Torna a flor, minha flor
Campo chão
Torna a dor, minha dor
Solidão

Grita o mar, geme o vento
Teu olhar, meu tormento
Chora a Lua, flor dourada
Madressilva, madrugada
Canta a Lua, semi nua
Flor mimosa
Sargaçal, roseiral, minha rosa
Chora a fonte, reza o monte
Branca asa
Canta a flor, cheira a flor
Campa rasa

Fora de Horas


Belo Marques

Fadista geme a tua desventura
Não faças conta ao tempo quando choras
Que o Fado em certas horas de amargura
Só deve ser cantado fora de horas

Não bate o coração a horas tantas
Nem sabe quando ri ou quando chora
O Fado é mais sentido quando cantas
Se a hora de o cantar passa da hora

O Fado é o destino de uma hora
Um dia ela virá, mas não sei quando
Quem tem um coração que canta e chora
Não pode ouvir as horas que vão dando

Bateu-me o Fado à porta lentamente
A quem fui receber de mãos abertas
Meu triste coração ficou doente
E nunca mais bateu a horas certas

Gosto de ti quando mentes


J. M. Ferreira do Amaral / Guilherme Coração

Gosto de ti quando mentes
A mentir me tens amor
A verdade que tu sentes
É desprezo, é bem pior

A verdade que não dizes
É desdém, não é amor
Nós nunca somos felizes
Em saber da nossa dor

O teu desprezo é maldade
Gostas de mim a fingir
Nunca me fales verdade
Só te desejo a mentir

Lágrima

Lágrima

Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves

Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de te querer tanto

Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim um castigo
Não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo

Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar

Maldição


Letra: Fernando Farinha
Música do "Fado bacalhau"

Malditos os olhos meus
Quando encontraram os teus
E por eles me perdi
Se os meus olhos te não vissem
Talvez ainda sorrissem
E não chorassem por ti

Malditos beijos que dei
Esses beijos que eu guardei
P'ra te oferecer com calor
Beijar quem nos faz sofrer
Antes morrer sem saber
O que é um beijo de amor

Malditos tempos vividos
Que por ti foram esquecidos
E que eu não posso esquecer
Maldito o meu coração
Que sofre esta maldição
E não deixa de te querer



Malmequeres

Malmequeres

Manuel Paulino Gomes Junior

Malmequeres, bem me queres
São flores de louco encanto
Malmequeres, bem me queres
Desfolham risos ou pranto

Os jovens apaixonados
Perguntam baixinho à flor
Se são queridos desejados
Se são queridos desejados
Ou felizes no amor

Refrão

Se os Malmequeres
Gentis e formosos
Dizem bem me queres
Aos rostos ansiosos
Das lindas mulheres
Constroem castelos
Nos seus corações
Loucas ilusões
Loucas ilusões
E sonhos tão belos

Dois jovens enamorados
Um Malmequer desfolharam
Mas ficaram enganados
Com a resposta que apanharam

O Malmequer respondeu
Com seu eterno sorrir
Isso não respondo eu
Isso não respondo eu
Pois não gosto de mentir

Refrão

Se os Malmequeres…

Mar de Amália

Mar de Amália

Tiago Torres da Silva / Carlos Gonçalves

Ao ver a fúria do mar
A bater contra o rochedo
Quase consigo escutar
A voz da Amália em segredo

E as ondas querem cantar
As ondas não têm medo

A noite fica acordada
Porque a saudade não pensa
Que debaixo da almofada
Dorme aquela voz imensa

E canta a noite inspirada
E não lhe pede licença

Quando o vento não se cala
E levanta o pó do chão
Julgo ouvir a voz da Amália
Que vem cantando o malhão

O vento tenta imitá-la
E não lhe pede perdão

Fico sentada à janela
De mão dada ao meu jardim
E às vezes oiço a voz dela
A cantar dentro de mim

E p’ra poder merecê-la
Vou cantar até ao fim

Menor e maior


Vicente Arnoso / Popular

De saudade fala a gente
Quantas vezes sem razão
Saudades só quem as sente
É que sabe o que elas são

Saudade mágoa sem dor
Vivida por toda a gente
Que trás no peito um amor
Que a vida tornou ausente

Quis te falar e não pude
Nada te pude dizer
Se os meus olhos te não falam
Como havias de entender

Pedi a Deus que me desse
Alguma coisa do céu
Quem se sabe se foste tu
Aquilo que Deus me deu

Minha mágoa

Minha Mágoa

Maria Teresa de Albuquerque / Raúl Pinto

De tanto, tanto cantar
Já quase não sei chorar
Dando alivio à minha mágoa
Mas às vezes quando canto
A minha dor sinto tanto
Tenho os olhos rasos de água

Meu amor quando me ouvires
Se saudade ainda sentires
Do tempo que já passou
Escusas de pedir perdão
Que o meu pobre coração
Já tudo te perdoou

Enquanto a guitarra toca
A minha saudade invoca
Os dias que já vivi
E então como um lamento
A voz é o pensamento
Que trago agarrado a ti

Minhas saudades


D. Hermano Sobral / Popular

O tempo que vai passando
Trás saudades sem saber
Saudades que vão ficando
Para saudades fazer

Oh meu amor que saudade
Porque não hás-de voltar
Ao menos p’ra enganar
O tempo, a triste verdade

‘Inda tive a veleidade
De lutar para esquecer
Mas perdi-me no sofrer
Se já nem sei desde quando
O tempo que vai passando
Trás saudades sem saber

Uma saudade perdida
Acolheu-se à minha beira
Fez-se a minha companheira
Dedicada e preferida

E agora desiludida
Sem acalentar sequer
A esperança de outro viver
Levo a vida acarinhando
Saudades que vão ficando
Para saudades fazer

O malmequer pequenino


Ricardo Borges de Sousa

O malmequer pequenino
Disse um dia à linda rosa
Por te chamarem rainha
Não sejas tão orgulhosa

Papoilas que o vento agita
Não me canso de vos ver
Há lá coisa mais bonita
Que ser simples sem saber

Aquela mulher pecou
Por amor se fez fadista
Tão longe o fado a levou
Que Deus a perdeu de vista

Por te amar perdi a Deus
Por teu amor me perdi
Agora vejo-me só
Sem Deus, sem amor, sem ti

O meu menino é d'oiro

O meu menino é d'oiro

Alexandre Resende / António Menano

O meu menino é d’oiro
É d’oiro o meu menino
Hei-de leva-lo ao céu
Enquanto for pequenino

Enquanto for pequenino
Tão puro como o luar
Hei-de leva-lo ao céu
Hei-de ensina-lo a cantar

Ó pinheiro meu irmão

Ó pinheiro meu irmão

Amália Rodrigues e Carlos Gonçalves

Ribeiro não corras mais
Que não hás-de ser eterno
O Verão vai-te roubar
O que te deu o Inverno

Até a lenha no monte
Tem sua separação
Duma lenha se faz santos
E de outra lenha se faz carvão

Ando caída em desgraça
O que é que eu hei-de fazer
Todos os santos que pinte
Demónios têm que ser

São tão grandes minhas penas
Que me deitam a afogar
Vêm umas atrás das outras
Tal como as ondas andam no mar

Apanho e como as raízes
Que estão debaixo da terra
Só as ramas as não como
Porque essas o vento as leva

Ó pinheiro meu irmão
Tu também és como eu
Também tu estendes em vão
Ó pinheiro irmão
Teus braços p’ro céu

O Vento - Guitarra: José Pracana - Viola: João Machado

O vento

Maria da Graça Ferrão / Américo Duarte

Se o vento soubesse ler
Leria em meu pensamento
A loucura de te ver
A toda a hora e momento

Dizer-te aquilo que sinto
Não sei se parece mal
Diz que sim, não te desminto
O que sou eu afinal

A brisa quando ao passar
Murmura entre a folhagem
Palavras para te adorar
Carinhos à tua imagem

Ouve esta frase sentida
Sem amor não há viver
Amar é próprio da vida
Ai se o vento soubesse ler

Os meus olhos são dois círios


João Linhares Barbosa / Fado Menor

Os meus olhos são dois círios
Dando luz triste ao meu rosto
Marcado pelos martírios
Da saudade e do desgosto

Quando oiço bater trindades
E a tarde já vai no fim
Eu peço às minhas saudades
Um Padre-Nosso por mim

Mas não sabes fazer preces
Não tens saudade nem pranto
Porque é que tu me aborreces?
Porque é que eu te quero tanto?

És para meu desespero
Como as nuvens que andam altas
Todos os dias te espero
Todos os dias me faltas

Primavera

Primavera

David Mourão-Ferreira / Pedro Rodrigues

Todo o amor que nos prendera
Como se fora de cera
Se quebrava e desfazia
Ai funesta Primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia

E condenaram-me a tanto
Viver comigo o meu pranto
Viver…viver e sem ti
Vivendo sem no entanto
Eu me esquecer desse encanto
Que nesse dia perdi

Pão duro da solidão
É somente o que nos dão
O que nos dão a comer
Que importa que o coração
Diga que sim ou que não
Se continua a viver

Todo o amor que nos prendera
Se quebrara e desfizera
Em pavor se convertia
Ninguém fale em Primavera
Quem me dera, quem nos dera
Ter morrido nesse dia

Povo que lavas no rio


Pedro Homem de Mello e Joaquim Campos

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
O beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urzes e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Rainha Santa


Henrique Rego / Joaquim Campos

Não sabes tricana linda
Porque chora quando canta
O rouxinol do Choupal
É porque ele chora ainda
Pela rainha mais santa
Das santas de Portugal

Rainha que mais reinou
No coração da pobreza
Que em seu faustuoso Paço
Milagreira portuguesa
Que no seu alvo regaço
Pão em rosas transformou

E as lindas rosas geradas
Por um milagre fermente
Que a Santa Rainha fez
Viverão acarinhadas
Com amor eternamente
No coração português

Santa Isabel se algum dia
Seu nome de eras famosas
Fosse esquecido afinal
Outro milagre faria
De nunca mais haver rosas
Nos jardins de Portugal

quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Canto de amor e de amar

video

Autor: Dr. Fernando Machado Soares

Um amor p’ra ser amor
Dura sempre a vida inteira
Quem amar segunda vez
Não amou bem da primeira

De qualquer modo que existas
És a minha divindade
Ventura quando te vejo
Se te não vejo saudade

Um amor p’ra ser amor
Etç…etç…
E quando já for saudade
Sem que nada nos conforte
É sinal que ainda vive
Mesmo para além da morte

Um amor p’ra ser amor
Etç...Etç...

terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Herdade da Baracha - FADO