"O Fado é tudo o que sinto...mais o que eu não sei dizer". Fados Meus, são os que eu gosto de cantar!!!
Foi um bem conhecer-te
Foi um bem conhecer-te
Manuel de Almeida/Fado Corrido Arr. Rão Kyao
Foi pouca sorte encontrar-te Mas foi um bem conhecer-te O que perdi em achar-te Ganhei depois em perder-te
Como vês, não estou mudada Nem descrente, nem vencida Nem sequer surpreendida De um sonho mal acabado
Apenas estou conformada Conformada de perder-te Por isso quero esquecer-te E ao mesmo tempo lembrar-te Foi pouca sorte encontrar-te Mas foi um bem conhecer-te
Se é Deus quem manda afinal Dando almas irmãs à gente Nossas almas certamente Não eram o par ideal
Portanto ponto final Mas olha, quero dizer-te Sem pretender defender-te Defender-te ou criticar-te O que perdi em achar-te Ganhei depois em perder-te
Recordando o que passei Fico a pensar sem saber Porque foi que te encontrei Se tinha que te perder Porque foi que te encontrei Se tinha que te perder
As duas faces do amor
As duas faces do amor
Moniz Pereira / Emílio Vasco
Antes de amar eu julgava Que o amor que alguém me desse Jamais morresse E que todo o juramento Um ao outro repetido Fosse cumprido
Mas um dia tu chegaste E depressa me provaste Como eu andava iludida
Ah se eu conheço agora As duas faces do amor Uma canta, a outra chora Uma é riso, a outra é dor Agora que à minha custa Aprendi o que era amar Meu coração já se assusta Quando me sente cantar
Se alguma vez, te deixarem Em circunstâncias iguais Sem mais, nem mais E sofreres este tormento De trocar pela verdade A felicidade
Verás que quando a gente tira Ao amor o que é mentira Nem sequer fica a saudade
Ah se eu conheço agora…
Asa de Vento
Letra: Amália Rodrigues Música: Carlos Gonçalves
Sou charneca sou monte Brisa a correr ligeira Sou água fresca A correr na fonte Sou rosada roseira
Sou o cheiro das flores Fé do meu pensamento Filha d'amores Irmã das dores Sou mãe Do sofrimento
Tenho no peito Um pássaro encarnado Que anda sem jeito A mim amarrado
Sou charneca sou monte Sou noite enluarada Flor de alecrim Ramo de jasmim Sou papoila encarnada
Sou flor de Primavera Sou sonho de Verão Planície aberta Praia deserta Que espera A tua mão
Coração fruto Que é maduro e verde Meu choro enxuto Dor que se não perde
Sou charneca sou monte Sou manhã perfumada Planície aberta Praia deserta Sou ilha abandonada
Sou charneca sou monte Verde fruta colhida Erva cidreira Mansa oliveira Sou lágrima perdida
Asa de vento Inimiga da sorte Roseira brava Não há quem me corte
Avé Maria fadista
Avé Maria fadista
Gabriel de Oliveira / Popular
Avé Maria sagrada Cheia de graça divina Oração tão pequenina De uma beleza elevada
Nosso Senhor é convosco Bendita sois vós Maria Nasceu vosso filho um dia Num palheiro humilde e tosco
Entre as mulheres bendita Bendito é o fruto a luz Do vosso ventre Jesus Amor e graça infinita
Santa Maria das Dores Mãe de Deus se for pecado Tocar e cantar o Fado Rogai por nós pecadores
Nenhum fadista tem sorte Rogai por nós Virgem Mãe Agora sempre e também Na hora da nossa morte
Bairro Alto
Bairro Alto
Carlos Neves / Francisco Carvalhinho
Bairro Alto Aos seus amores tão delicado Certa noite deu nas vistas E saiu com os trovadores E mais o Fado P’ra fazer suas conquistas
Tangeu as liras singelas Lisboa abriu as janelas E acordou em sobressalto Gritaram bairros à toa Silencio velha Lisboa Vai cantar o Bairro Alto
Trovas antigas Saudade louca Andam cantigas A bailar de boca em boca Tristes bizarras Em comunhão Andam guitarras A gemer de mão em mão
Por isso é que ganhou fama de boémio Por condão é fatalista Atiraram-lhe com a lama como prémio Por ser nobre e ser fadista
Hoje saudoso, velhinho Recordando com carinho Seus amores, suas paixões P’ra cumprir a sina sua ‘Inda vem p’ro meio da rua Cantar as suas canções
Trovas antigas Saudade louca…
Brincos para brincar
Brincos para brincar
João Linhares Barbosa / Francisco Carvalhinho
Quando eu era pequenina P’ra me enfeitar as orelhas Minha mãe punha-me às vezes Quatro cerejas vermelhas
Refrão
E toda tola lembro-me ainda Que ia p’rá escola vaidosa e linda Brincos vermelhos a dar que dar Pedia espelhos p’ra me mirar
Diziam todos que bem lhe fica Lembra nos modos menina rica Via-os revia-os como riqueza Depois comia-os à sobremesa
Um dia as mais raparigas Filhas como eu da pobreza Puseram-me nas orelhas Dois brinquinhos de princesa
Refrão
E toda triques faces coradas Ia aos despiques nas desfolhadas Vinham meus brincos de algum vergel Não punham vincos na minha pele
Depois mais tarde vi-te e amei Deste-me brincos de ouro de lei Bendito sejas mas na verdade Vejo cerejas sinto saudade
Caminito
Caminito
Gabino Coria Penazola / Juan de Dios Filiberto
Caminito que el tiempo ha borrado, Que juntos un día nos viste pasar, He venido por última vez He venido a contarte mi mal
Caminito que entonces estabas Bordado de trébol y juncos en flor, Una sombra ya pronto serás Una sombra lo mismo que yo
Desde que se fué triste vivo yo, Caminito amigo yo tambien me voy Desde que se fué nunca más volvió, Seguiré sus pasos, caminito, adiós
Caminito que todas las tardes Feliz recorría cantando mi amor, No le digas si vuelve a pasar Que mi llanto tu huella regó
Caminito cubierto de cardos, La mano del tiempo tu huella borró Yo a tu lado quisiera caer Y que el tiempo nos mate a los dos
Estranha forma de vida
Amália Rodrigues / Alfredo Marceneiro
Foi por vontade de Deus Que eu vivo nesta ansiedade Que todos os ais são meus E é toda minha a saudade Foi por vontade de Deus
Que estranha forma de vida Tem este meu coração Vive de vida perdida Quem lhe daria o condão Que estranha forma de vida
Coração independente Coração que não comando Vives perdido entre a gente Teimosamente sangrado Coração independente
Eu não te acompanho mais Pára deixa de bater Se não sabes onde vais Porque teimas em correr Eu não te acompanho mais
Se não sabes onde vais Pára deixa de bater Eu não te acompanho mais
Fado das horas
Maria Teresa de Noronha e D. António de Bragança
Chorava por te não ver Por te ver eu choro agora Mas choro só por querer Querer ver-te a toda a hora
Passa o tempo de corrida Quando falas eu te escuto Nas horas da nossa vida Cada hora um minuto
Quando estás ao pé de mim Sinto-me dona do mundo Mas o tempo é tão ruim Tem cada hora um segundo
Deixa-te estar a meu lado E não mais te vás embora P’ra meu coração coitado Viver na vida uma hora
Fado do Pescador
Fado do Pescador
Letra de autor desconhecido Música de Aníbal Nazaré
Vieste-me perguntar O que era um pescador Agora vou explicar Toma atenção por favor
É um homem de pulso forte A quem nada mete afronta Sem temer a própria morte Corre o mar de ponta a ponta
Noites passar Fora do lar, abençoado Ter alma nobre Ser homem pobre Mas ser honrado Andar no mar A suportar, frio e calor Viver na fé Eis o que é Ser pescador
É um homem sem vaidade Que não possui ambição Trabalha com lealdade Para angariar seu pão
Nas noites de chuva e vendo Em que o mar lhe dá maus trilhos Não lhe sai do pensamento Sua mulher e seus filhos
Noites passar Etç…etç…
Fado em cinco estilos
Fado em cinco estilos
Eu quero bem aos teus olhos Mas muito mais quero aos meus Pois se perdesse meus olhos Não podia ver os teus
Se eu de saudades morrer Apalpa o meu coração Talvez eu torne a viver Ao calor da mão
Se os meus olhos te incomodam Quando estão na tua frente Eu prometo arranca-los E amar-te cegamente
Gosto de cantar o Fado Acho que o Fado tem raça E que não foi só cantado Para cantar a desgraça
Se tenho medo da morte Não tanto como supões Tenho mais medo da vida E das suas ilusões
Flor de Lua
Letra: Amália Rodrigues Música: Carlos Gonçalves
Solidão, campo aberto Campo chão, tão deserto Meu Verão, ansiedade Meu irmão de saudade Campo Sol, girassol, branco lírio Ilusão, solidão Meu martírio Torna a flor, minha flor Campo chão Torna a dor, minha dor Solidão
Vai no vento, a passar Um lamento a gritar Dó, Ré, Mi Mi, Fá, Sol Dó Ré Mi Girassol Velho cardo, esguio nardo Flor de Lua Mi, Fá, Sol Girassol, eu tua Torna a flor, minha flor Campo chão Torna a dor, minha dor Solidão
Grita o mar, geme o vento Teu olhar, meu tormento Chora a Lua, flor dourada Madressilva, madrugada Canta a Lua, semi nua Flor mimosa Sargaçal, roseiral, minha rosa Chora a fonte, reza o monte Branca asa Canta a flor, cheira a flor Campa rasa
Fora de Horas
Belo Marques
Fadista geme a tua desventura Não faças conta ao tempo quando choras Que o Fado em certas horas de amargura Só deve ser cantado fora de horas
Não bate o coração a horas tantas Nem sabe quando ri ou quando chora O Fado é mais sentido quando cantas Se a hora de o cantar passa da hora
O Fado é o destino de uma hora Um dia ela virá, mas não sei quando Quem tem um coração que canta e chora Não pode ouvir as horas que vão dando
Bateu-me o Fado à porta lentamente A quem fui receber de mãos abertas Meu triste coração ficou doente E nunca mais bateu a horas certas
Gosto de ti quando mentes
J. M. Ferreira do Amaral / Guilherme Coração
Gosto de ti quando mentes A mentir me tens amor A verdade que tu sentes É desprezo, é bem pior
A verdade que não dizes É desdém, não é amor Nós nunca somos felizes Em saber da nossa dor
O teu desprezo é maldade Gostas de mim a fingir Nunca me fales verdade Só te desejo a mentir
Lágrima
Lágrima
Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves
Cheia de penas Cheia de penas me deito E com mais penas Com mais penas me levanto No meu peito Já me ficou no meu peito Este jeito O jeito de te querer tanto
Desespero Tenho por meu desespero Dentro de mim Dentro de mim um castigo Não te quero Eu digo que não te quero E de noite De noite sonho contigo
Se considero Que um dia hei-de morrer No desespero Que tenho de te não ver Estendo o meu xaile Estendo o meu xaile no chão Estendo o meu xaile E deixo-me adormecer
Se eu soubesse Se eu soubesse que morrendo Tu me havias Tu me havias de chorar Uma lágrima Por uma lágrima tua Que alegria Me deixaria matar
Maldição
Letra: Fernando Farinha Música do "Fado bacalhau"
Malditos os olhos meus Quando encontraram os teus E por eles me perdi Se os meus olhos te não vissem Talvez ainda sorrissem E não chorassem por ti
Malditos beijos que dei Esses beijos que eu guardei P'ra te oferecer com calor Beijar quem nos faz sofrer Antes morrer sem saber O que é um beijo de amor
Malditos tempos vividos Que por ti foram esquecidos E que eu não posso esquecer Maldito o meu coração Que sofre esta maldição E não deixa de te querer
Malmequeres
Malmequeres
Manuel Paulino Gomes Junior
Malmequeres, bem me queres São flores de louco encanto Malmequeres, bem me queres Desfolham risos ou pranto
Os jovens apaixonados Perguntam baixinho à flor Se são queridos desejados Se são queridos desejados Ou felizes no amor
Refrão
Se os Malmequeres Gentis e formosos Dizem bem me queres Aos rostos ansiosos Das lindas mulheres Constroem castelos Nos seus corações Loucas ilusões Loucas ilusões E sonhos tão belos
Dois jovens enamorados Um Malmequer desfolharam Mas ficaram enganados Com a resposta que apanharam
O Malmequer respondeu Com seu eterno sorrir Isso não respondo eu Isso não respondo eu Pois não gosto de mentir
Refrão
Se os Malmequeres…
Mar de Amália
Mar de Amália
Tiago Torres da Silva / Carlos Gonçalves
Ao ver a fúria do mar A bater contra o rochedo Quase consigo escutar A voz da Amália em segredo
E as ondas querem cantar As ondas não têm medo
A noite fica acordada Porque a saudade não pensa Que debaixo da almofada Dorme aquela voz imensa
E canta a noite inspirada E não lhe pede licença
Quando o vento não se cala E levanta o pó do chão Julgo ouvir a voz da Amália Que vem cantando o malhão
O vento tenta imitá-la E não lhe pede perdão
Fico sentada à janela De mão dada ao meu jardim E às vezes oiço a voz dela A cantar dentro de mim
E p’ra poder merecê-la Vou cantar até ao fim
Menor e maior
Vicente Arnoso / Popular
De saudade fala a gente Quantas vezes sem razão Saudades só quem as sente É que sabe o que elas são
Saudade mágoa sem dor Vivida por toda a gente Que trás no peito um amor Que a vida tornou ausente
Quis te falar e não pude Nada te pude dizer Se os meus olhos te não falam Como havias de entender
Pedi a Deus que me desse Alguma coisa do céu Quem se sabe se foste tu Aquilo que Deus me deu
Minha mágoa
Minha Mágoa
Maria Teresa de Albuquerque / Raúl Pinto
De tanto, tanto cantar Já quase não sei chorar Dando alivio à minha mágoa Mas às vezes quando canto A minha dor sinto tanto Tenho os olhos rasos de água
Meu amor quando me ouvires Se saudade ainda sentires Do tempo que já passou Escusas de pedir perdão Que o meu pobre coração Já tudo te perdoou
Enquanto a guitarra toca A minha saudade invoca Os dias que já vivi E então como um lamento A voz é o pensamento Que trago agarrado a ti
Minhas saudades
D. Hermano Sobral / Popular
O tempo que vai passando Trás saudades sem saber Saudades que vão ficando Para saudades fazer
Oh meu amor que saudade Porque não hás-de voltar Ao menos p’ra enganar O tempo, a triste verdade
‘Inda tive a veleidade De lutar para esquecer Mas perdi-me no sofrer Se já nem sei desde quando O tempo que vai passando Trás saudades sem saber
Uma saudade perdida Acolheu-se à minha beira Fez-se a minha companheira Dedicada e preferida
E agora desiludida Sem acalentar sequer A esperança de outro viver Levo a vida acarinhando Saudades que vão ficando Para saudades fazer
O malmequer pequenino
Ricardo Borges de Sousa
O malmequer pequenino Disse um dia à linda rosa Por te chamarem rainha Não sejas tão orgulhosa
Papoilas que o vento agita Não me canso de vos ver Há lá coisa mais bonita Que ser simples sem saber
Aquela mulher pecou Por amor se fez fadista Tão longe o fado a levou Que Deus a perdeu de vista
Por te amar perdi a Deus Por teu amor me perdi Agora vejo-me só Sem Deus, sem amor, sem ti
O meu menino é d'oiro
O meu menino é d'oiro
Alexandre Resende / António Menano
O meu menino é d’oiro É d’oiro o meu menino Hei-de leva-lo ao céu Enquanto for pequenino
Enquanto for pequenino Tão puro como o luar Hei-de leva-lo ao céu Hei-de ensina-lo a cantar
Ó pinheiro meu irmão
Ó pinheiro meu irmão
Amália Rodrigues e Carlos Gonçalves
Ribeiro não corras mais Que não hás-de ser eterno O Verão vai-te roubar O que te deu o Inverno
Até a lenha no monte Tem sua separação Duma lenha se faz santos E de outra lenha se faz carvão
Ando caída em desgraça O que é que eu hei-de fazer Todos os santos que pinte Demónios têm que ser
São tão grandes minhas penas Que me deitam a afogar Vêm umas atrás das outras Tal como as ondas andam no mar
Apanho e como as raízes Que estão debaixo da terra Só as ramas as não como Porque essas o vento as leva
Ó pinheiro meu irmão Tu também és como eu Também tu estendes em vão Ó pinheiro irmão Teus braços p’ro céu
O Vento - Guitarra: José Pracana - Viola: João Machado
O vento
Maria da Graça Ferrão / Américo Duarte
Se o vento soubesse ler Leria em meu pensamento A loucura de te ver A toda a hora e momento
Dizer-te aquilo que sinto Não sei se parece mal Diz que sim, não te desminto O que sou eu afinal
A brisa quando ao passar Murmura entre a folhagem Palavras para te adorar Carinhos à tua imagem
Ouve esta frase sentida Sem amor não há viver Amar é próprio da vida Ai se o vento soubesse ler
Os meus olhos são dois círios
João Linhares Barbosa / Fado Menor
Os meus olhos são dois círios Dando luz triste ao meu rosto Marcado pelos martírios Da saudade e do desgosto
Quando oiço bater trindades E a tarde já vai no fim Eu peço às minhas saudades Um Padre-Nosso por mim
Mas não sabes fazer preces Não tens saudade nem pranto Porque é que tu me aborreces? Porque é que eu te quero tanto?
És para meu desespero Como as nuvens que andam altas Todos os dias te espero Todos os dias me faltas
Primavera
Primavera
David Mourão-Ferreira / Pedro Rodrigues
Todo o amor que nos prendera Como se fora de cera Se quebrava e desfazia Ai funesta Primavera Quem me dera, quem nos dera Ter morrido nesse dia
E condenaram-me a tanto Viver comigo o meu pranto Viver…viver e sem ti Vivendo sem no entanto Eu me esquecer desse encanto Que nesse dia perdi
Pão duro da solidão É somente o que nos dão O que nos dão a comer Que importa que o coração Diga que sim ou que não Se continua a viver
Todo o amor que nos prendera Se quebrara e desfizera Em pavor se convertia Ninguém fale em Primavera Quem me dera, quem nos dera Ter morrido nesse dia
Povo que lavas no rio
Pedro Homem de Mello e Joaquim Campos
Povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não
Fui ter à mesa redonda Beber em malga que esconda O beijo de mão em mão Era o vinho que me deste Água pura, fruto agreste Mas a tua vida não
Aromas de urzes e de lama Dormi com eles na cama Tive a mesma condição Povo, povo eu te pertenço Deste-me alturas de incenso Mas a tua vida não
Povo que lavas no rio Que talhas com teu machado As tábuas do meu caixão Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não
Rainha Santa
Henrique Rego / Joaquim Campos
Não sabes tricana linda Porque chora quando canta O rouxinol do Choupal É porque ele chora ainda Pela rainha mais santa Das santas de Portugal
Rainha que mais reinou No coração da pobreza Que em seu faustuoso Paço Milagreira portuguesa Que no seu alvo regaço Pão em rosas transformou
E as lindas rosas geradas Por um milagre fermente Que a Santa Rainha fez Viverão acarinhadas Com amor eternamente No coração português
Santa Isabel se algum dia Seu nome de eras famosas Fosse esquecido afinal Outro milagre faria De nunca mais haver rosas Nos jardins de Portugal
"... Eu acho que nasci fadista. Nasci e cresci num bairro àbeira mar, em Montijo, muito perto de Lisboa. Na rua onde eu morava, habitavam muitos pescadores que amanhavam as suas redes na rua e enquanto o faziam, iam cantando o fado. Foi com eles que aprendi a cantar. Nessa altura as rádios passavam muito fado e eu fui aprendendo a gostar cada vez mais, até que comecei a ser convidada para festas de amigos e a assistir a grandes programas com fadistas profissionais. Um dia, numa casa de fados em Lisboa, pedi para cantar um fado e perdi a conta a quantos cantei. Na semana seguinte já fazia parte do elenco dessa casa e nunca mais parei. Surgiram depois convites de outras casas de fado, entre elas o Forte D. Rodrigo em Cascais e a Taberna do Embuçado em Lisboa..."
"... Yo creo que nací fadista. Nací y crecí en un barrio a la orilla del mar, en Montijo, muy cerca de Lisboa. En la calle donde yo vivía, moraban muchos pescadores que extendían sus redes en la calle y al hacerlo, iban cantado fados. Fue con ellos que aprendí a cantar. En esa altura las radios transmitían mucho fado y yo fui aprendiendo a apreciarlo cada vez más, hasta que comencé a ser convidada para fiestas de amigos y para asistir a grandes programas con fadistas profesionales. Un día, en una casa de fados en Lisboa, quise cantar un fado para los que allí estaban, y perdí la cuenta de la cantidad de fados que canté. En la semana siguiente ya era parte del elenco de esa casa y nunca más paré. Surgieron después invitaciones de otras casas de fado, entre ellas el Forte D. Rodrigo en Cascais y la Taberna do Embuçado en Lisboa..."
« …Je pense être né Fadiste. Je suis née et j’ai grandi dans un petit village de marins, à Montijo, tout prêt de Lisbonne. Dans la rue où j’ai grandi, habitait beaucoup de pêcheurs qui débarquait le poisson tôt le matin et pendant ce temps-là chantaient le Fado. Ce fût avec eux, que j’ai appris a chanté. A cette époque les radios passaient beaucoup de Fado et c’est comme ça que j’ai appris a aimer de plus en plus, jusqu’à être inviter à des fêtes d’amis et a assister a des grands spectacles avec de vrais Fadiste professionnels. Un jour, dans une maison typique de Lisbonne, j’ai demander a chanter un Fado, je me rappelle plus combien j’en ai chanter ce jour-là tellement ils furent… La semaine d’après je faisais partie de l’élan artistique de cette maison typique et depuis je n’ai plus jamais arrêté. Après, j’ai reçu des invitations pour chanter dans d’autres maisons typiques comme : o forte D. Rodrigo à Cascais et Taberna do Embuçado à Lisbonne… »
…I think I was born a fado singer. I was born and grew up in a town by the sea, called Montijo, near Lisbon . In the street were I lived, there were a lot of fishermen that used to sing fado while they were preparing their nets. It was with them that I learned to sing. At that time, the radio used to put on a lot of fado music, and that’s how I learned to love more and more. Later, as I was invited to many friends parties I started to get in touch with several professional fado singers. In one opportunity, while I was in a fado house, I asked to sing one song and I end up singing more than I can remember. The next week, I become a member of the crew, and never stopped singing fado music. From that moment on, I started to be invited to sing in other fado houses such as Forte D. Rodrigo in Cascais and Taberna do Embuçado…”
"... Penso di esser nata fadista. Son nata e cresciuta in un quartiere in riva al mare, a Montijo, molto vicino a Lisbona. Nella via dove stavo, abitavano molti pescatori che rammendavano le loro reti in strada e, mentre lo facevano, cantavano il fado. Ho imparato a cantare da loro. All’epoca le radio trasmettevano molto fado, ed io imparai ad apprezzarlo sempre più finchè cominciai ad essere invitata a feste di amici e ad assistere a serate importanti, con fadisti professionisti. Un giorno, in una “casa di fado” di Lisbona, chiesi di poter cantare un fado... e persi il conto di quanti dovetti cantarne. La settimana seguente facevo già parte del cartellone della casa e non ho più smesso. Poi arrivarono gli inviti di altre case di fado, fra le quali il “Forte D. Rodrigo” di Cascais e la “Taberna do Embuçado” a Lisbona...”
Cantas o Fado como ninguém, na tua voz vibra a história do teu povo; e, nessa alma lusitana, dás-nos tudo aquilo a que chamamos sentimento.
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Cantas el Fado como nadie, en tu voz vibra la historia de tu pueblo; y nos das en esa alma lusitana, todo lo que llamamos sentimiento.
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You sing Fado as nobody else does, in your voice lives the history of your people, and in that lisbon soul you give us, everything we call feelings
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Canti il Fado come nessuna: nella tua voce vibra la storia della tua gente; e ci dai, in questa anima lusitana, tutto ciò che chiamiamo sentimento.
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Tu chante le Fado comme personne, dans ta voix, vibre l’histoire de ton peuple; et, de ton âme lusitaine, tu nous donne tout ce qu’on appelle Sentiments-
Carlos Gonçalves
Guitarrista e compositor
Comentário de Carlos Gonçalves
"...Manuela Cavaco é das poucas pessoas em Portugal que interpretam bem o Fado..."
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"...Manuela Cavaco es de las pocas personas en Portugal que interpretan bien el Fado..."
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"...Manuela Cavaco is one of the few people that can trully interpret fado music..."
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"...Manuela Cavaco é una delle poche persone in Portogallo che interpretano bene il Fado....."
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"...Manuela Cavaco fait partie du peu de personne au Portugal qui interprète bien le Fado..."
Daniel Gouveia
Escritor português, investigador musical, conferencista, compositor e cantor de Fado. A sua obra literária é conhecida em meios académicos de fala hispânica.
Comentário de Daniel Gouveia
"Manuela Cavaco é daquelas jóias escondidas por demasiado tempo que, quando se descobrem, nos dão a sensação de termos encontrado um tesouro. Uma voz privilegiada que agora resolveu mostrar-se, na sua plenitude, para felicidade dos amantes do Fado puro, tradicional, cultivado com o rigor dos grandes mestres. É também das poucas fadistas que leva as pessoas a ir onde ela está, não para ouvir cantar Fado, mas para ouvir Manuela Cavaco. Os seus recentes êxitos no estrangeiro são prova da aceitação de uma qualidade vocal e interpretativa que já vai sendo raro escutar"
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"Manuela Cavaco es una de aquellas joyas escondidas por demasiado tiempo que, cuando son descubiertas, nos dan la sensación de haber encontrado un tesoro. Una voz privilegiada que ahora ha resuelto mostrarse, en su plenitud, para felicidad de los amantes del Fado puro, tradicional, cultivado com el rigor de los grandes maestros. Es también de las pocas fadistas que convoca a las personas para ir hacia donde ella está, no para oír cantar Fado, pero sí para oír a Manuela Cavaco. Sus recientes éxitos en el extranjero son prueba de la aceptación de una cualidad vocal e interpretativa que ya va siendo escaso escuchar"
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"Manuela Cavaco is one of those long time hidden jewels that when discovered gives the feeling of founding a pressious tressure. For the joy of all the traditional fado lovers, her privilegiate voice decides to show and express now in a peak condition. Its also one of the few fado singers that takes the people where she is not just to hear fado but to hear she really is, Manuela Cavaco. Her recent hits in foreign countries are a prove of her rare vocal and interpretative qualities"
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"Manuela Cavaco é uno di quei gioielli rimasti nascosti per troppo tempo che, quando li si scopre, ci danno la sesazione di aver trovato un tesoro. Una voce privilegiata che ha ora deciso di mostrarsi, nella sua pienezza, per la gioia degli amanti del Fado puro, tradizionale, coltivato col rigore dei grandi maestri. É anche una delle poche fadiste che spingono la gente ad accorrere dove si esibisce, non per sentir cantare Fado, ma per ascoltare Manuela Cavaco. I suoi recenti successi all’estero son la prova del riconoscimento di una qualità vocale ed interpretativa che sta diventando raro poter ascoltare"
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"Manuela Cavaco est un de ces bijoux cachés par le temps qui, quand ils sont découverts, nous donnent la sensation d’avoir trouvé un trésor. Une voix privilégiée, qui a maintenant décidée de se montrer, dans sa plénitude, pour le bonheur des amants du pur Fado, traditionnel, cultivé avec la rigueur des grands maîtres. Elle fait partie du peu de fadistas qui amènent les personnes à aller où elle est, pas pour entendre chanter le Fado, mais pour entendre Manuela Cavaco. Ses récents succès à l'étranger font preuve de l'acceptation d'une qualité vocale et interprétative qui est très rare d'écouter"
Ramiro Guiñazu Ghirardon
Arquitecto argentino, escritor, é um dos grandes coleccionadores da obra de Amália Rodrigues a nivel mundial
Comentário de Ramiro Guiñazu Ghirardon
Uma noite em Madrid, depois de um concerto de Carlos Gonçalves, fui saudá-lo e ele disse-me que andava a tocar para uma grande fadista, Manuela Cavaco, e que, depois de Amália, ainda não tinha conhecido ninguém assim. Quando recebi o seu disco “Fado a Sério”, fiquei maravilhado; acostumado a ouvir diferentes maneiras de interpretar o Fado, descobri a “força e delicadeza” que o verdadeiro Fado deve ter e que vive na prodigiosa garganta da minha querida amiga Manuela.
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Una noche en Madrid, después de un concierto de Carlos Gonçalves, fui a saludarlo y me comentó que estaba tocando para una gran fadista, Manuela Cavaco, y que después de Amália no había conocido a nadie igual. Cuando recibí su disco “Fado a Serio”, me quedé maravillado, acostumbrado a oír diferentes maneras de interpretar el fado, descubrí la “fuerza y delicadeza” que el auténtico fado debe tener y vive en la prodigiosa garganta de mi querida Amiga Manuela.
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"...One night in Madrid after a Carlos Gonçalves concert, I went to congratulate him for his job and he told about a great fado singer called Manuela Cavaco who, after Amalia, he hadn’t heard someone as good as her. When I got to hear her record “Fado a serio” I fell in love inmediatelly. Used to hear different ways of interpretating fado I discovered the “strength y smoothness” that true fado must have, and it lives in the prodigious voice of my dear friend Manuela..."
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"Una sera a Madrid, dopo un concerto di Carlos Gonçalves, andai a salutarlo e mi confidò que stava suonando per una grande fadista, Manuela Cavaco, e che dopo di Amália non aveva mai sentito nulla di simile. Quando ricevetti il loro disco “Fado a Serio” io, abituato ad ascoltare diverse maniere di interpretare il Fado, restai stupito scoprendo la “forza e delicatezza” que l’autentico Fado deve avere e che vivono nella gola prodigiosa della mia cara amica Manuela"
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Une nuit à Madrid, après un concert de Carlos Gonçalves, je suis aller le féliciter et il m’a dit qu’il accompagner actuellement une grande Fadiste, Manuela Cavaco, et que, Après Amalia, il n’avait encore jamais connu quelqu’un comme ça. Quand j’ai reçu son Cd “Fado a Sério” ce qui veut dire en Français “Le Fado Sérieusement”, je suis rester émerveillé ; surpris a entendre différentes manière d’interpréter le Fado, j’ai découvert la « force et la délicatesse » que le vrai Fado doit avoir et qui vit dans la gorge de ma chère amie Manuela.
Traducción en Español Miguel Angel Vera S. ~~~~~~~~~~~~~ Traduction en Francais Jennifer Rainho da Silva ~~~~~~~~~~~~ Traduzione in Italiano Francesco Marcheselli ~~~~~~~~~~~~ Translation English Ramiro Guiñazu
Guitarra: Paulo Parreira - Viola: João Mário Veiga
Alcochete - Museu de Arte Sacra
Guitarra: Paulo Parreira - Viola: João Mário Veiga
Alcochete - Museu de Arte Sacra
Guitarra: Paulo Parreira - Viola: João Mário Veiga - Baixo: Joel Pina
Alfama - Restaurante Fado Maior
Carlos Gonçalves e André Ramos
Alfama - Fado Maior
Guitarra: Ricardo Jorge - Viola: Lelo Nogueira
Alfama - Fado Maior
Guitarra: Ricardo Jorge - Viola: Lelo Nogueira
Ribadavia - Comodoro - Argentina
Guitarra: Mário Rui - Viola: João Machado
Argentina - Mendoza
Mário Rui e João Machado
Argentina - Mendoza
Mário Rui e João Machado
Restaurante Barrosão
Guitarra: Raimundo Seixas - Viola: Carlos Velêz
Letras de Fados
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À janela do meu peito
Alberto Janes
Lá vai brincando, pela mão de uma quimera Essa garota que fui eu, sempre a sorrir Como se a vida fosse eterna Primavera E não houvesse dores no Mundo p’ra sentir
As gargalhadas vêm poisar na janela E ao ouvi-las tenho mais pena de mim Ai quem me dera rir ainda como ela Mas quando rio, eu já não sei rir assim
Refrão
Tenho a janela do peito, aberta para o passado Todo feito de fadistas e de Fado Espreita a alma na janela, vai o passado a passar E ao ver-se nela, a alma fica a chorar Neste desfile que passa, fica a saudade sozinha Até a graça, perdeu a graça que tinha Desilusões as que tive, enchem a rua…lá estão E a gente vive dos tempos que já lá vão
Lá vem gingando nesse seu passo miúdo Melena preta, calça justa afiambrada Como mudámos, tu que foste para mim tudo… Hoje a meus olhos pouco mais és do que nada
Tuas chalaças de graçola e ironia Eram da rua, andavam de boca em boca E era ver-te não sei o que sentia Talvez loucura, que por ti andava louca
Refrão
Tenho a janela do peito Aberta para o passado etç…
Conta errada
João Nobre/José Galhardo
Aprendi a fazer contas Na escola de tenra idade Foi mais tarde ainda às tontas Que fiz contas com alguém
Eu e tu naquela ermida Somámos felicidade Mas um dia fui seguida Que traições que tem a vida Que horas más que a vida tem Tinha um homem fui tentada Somei-lhe outro, conta errada Fiz a prova, não fiz bem
Refrão
Um e um, são dois E é o céu talvez Vem mais um depois Dois e são três Do total tirei, a razão final Somar bem somei Mas no amor errei Fiz as contas mal
A traição mesmo aos traidores Faz contas e contas certas Multiplica as nossas dores E divide uma afeição
Nesta altura tu comigo Tens contas ainda abertas Só te peço que ao castigo Diminuas o que eu digo Nesta negra confissão De uma falsa que é sincera Que te espera, mas não espera Contar mais com o teu perdão
Refrão
Desde ontem que te não vejo
António Calem / Pedro Rodrigues
Desde ontem que te não vejo E o meu pobre coração Não descansa um só momento Vê lá quanto te desejo E quanta recordação Cabem no meu pensamento
Há poucas horas apenas Que de mim te despediste E fiquei triste a pensar Hora a hora as minhas penas Me vão tornando mais triste Pois não te vejo voltar
Meu coração adivinha Que não mais voltas aqui Que não mais te torno a ver A culpa foi toda minha Em me prender tanto a ti E não te saber prender
Fado de outrora
Popular
Fui reviver o passado Às ruas da Mouraria Não vi fadistas nem fado Desde a Amendoeira à Guia
Foi ali onde a Severa Cantou o fado e viveu Mas o fado dessa era Morreu quando ela morreu
O casario se aninha Cheio de fé e virtude À volta da capelinha Da Senhora da Saúde
E da velha tradição Já pouco resta hoje em dia Esses tempos que lá vão Não voltam à Mouraria
Fado em cinco estilos
Silva Tavares / Maria Teresa de Noronha
Eu quero bem aos teus olhos Mas muito mais quero aos meus Pois se perdesse meus olhos Não podia ver os teus
Se eu de saudades morrer Apalpa meu coração Talvez eu torne a viver Ao calor da tua mão
Se os meus olhos te incomodam Quando estão na tua frente Eu prometo arrancá-los E amar-te cegamente
Gosto de cantar o Fado Acho que o Fado tem raça E que não foi só criado Para cantar a desgraça
Se tenho medo da morte Não tanto como supões Tenho mais medo da vida E das suas ilusões
Fado Rita
Rita Mariano de Carvalho / Alfredo Duarte
Não vistas de preto a dor Nem chores porque parti Põe luto p’lo nosso amor Põe antes luto por ti
Veste de branco essa dor De verde, azul, encarnado Sempre vestiste de cor Quando eu morria a teu lado
Negra só a falsidade Que é toda um ser e não ser É como a chama que arde Sem ganhar e sem perder
Veste de branco a saudade Trá-la de branco vestida Morte só morte é verdade Nesta mentira da vida
Mentira
Miguel de Barros / Miguel Ramos
Mentiste sem piedade no momento Em que juraste ter-me eterno amor Fizeste uma promessa sem valor Não te assustou o falso juramento
Mentiste cruelmente nessa hora Mentiste sem piedade nesse dia Mentiste sem ter dó do que sofria E sem pensar na dor que sofro agora
Momentos de saudade e amargura Lembrados como um sonho sem igual Que trás o esquecimento do meu mal E que me faz sofrer enquanto dura
Um sonho de alegria e sofrimento Que afasta o meu desejo de morrer Um sonho que me obriga a querer viver E que por ser um sonho é um tormento
Em paga do inferno que me deste Espero alcançar de Deus o teu perdão Oferecendo minha dor em expiação Por tão cruel pecado que fizeste
Olhos Garotos
Linhares Barbosa / Jaime Santos
Diz aos teus olhos garotos Vivos marotos, pretos rasgados Que não andem pelas esquinas Feitos traquinas e malcriados Que não sigam as meninas Simples, ladinas, dos olhos meus De tudo acho capazes Os maus rapazes dos olhos teus
Teus olhos amendoados São comparados a dois cachopos Que quando topam meninas Pelas esquinas, dizem piropos É preciso que lhes digas Que as raparigas nem todas são Como as pedras que há nas ruas Gastas e nuas, sem coração
Diz-lhe tudo sem ralhar Sem te zangar, tem mil cuidados Sim…que p’ra entristecê-los Prefiro vê-los nos seus pecados Não quero os teus lindos olhos Correndo abrolhos, livre-nos Deus Que causassem tais ruínas Estas meninas dos olhos meus
Súplica
Frederico de Brito / Ferrer Trindade
Já quantas vezes Te pedi que me esquecesses Ou que ao menos não viesses Não voltasses mais aqui Pois tu não vês Que o mau viver que tu me dês Só pode ser por malvadez E eu não espero mais de ti
Já quantas vezes Te implorei por caridade Que encobrisses a maldade Que há-de ir sempre onde tu vais Eu poderei não ser melhor Fugir à lei do que amor Sofrer bem sei Mas prender-me nunca mais
Ainda agora Eu bem sei que tu não gostas Vou pedir-te de mãos postas Que me dês o que era meu Vagas paixões, meus tristes ais Mil tentações e pouco mais Do que ilusões Que o amor…esse morreu
Tipóia enfeitada
Carlos Conde / Frederico de Brito
Sonhei que fugi contigo Numa tipóia enfeitada E que fiquei de surpresa Num solar de estilo antigo Mesmo à beirinha da estrada Numa aldeia portuguesa
Levei a minha guitarra As cantigas que aprendi A minha voz e depois Numa dolência bizarra Eu cantava só p’ra ti Para mim…para nós dois
Assim que a manhã rompia Nós montávamos cavalos Os tais de sangue irlandês E andávamos todo o dia Sem cuidados nem abalos Pelos campos lés a lés
Sonhei que fugi contigo Numa tipóia enfeitada E no teu solar vivi Ai quem me dera o castigo De te seguir acordada Como a sonhar te segui
Vida da minha vida
Fernando Farinha / Francisco Carvalhinho
Na minha vida Vivia só por viver No fundo Todo o meu ser Era noite escura e fria
Mas quis Deus Que o teu amor Lhe desse Sol e calor E a noite Tornou-se dia
Hoje sinto a claridade A dar cor e felicidade À vida que não vivia
Da tua vida Fiz o meu próprio destino Como se um poder divino Despertasse o meu viver
Dos teus braços Fiz dois laços Do teu andar, os meus passos Do teu sofrer, meu sofrer
Dos teus olhos fiz dois guias Que hão dar luz aos meu dias E aos meus olhos P’ra te ver